terça-feira, 20 de outubro de 2026

Jesus, o Filho amado

Carta pastoral – Outubro de 2026 – ano VII

“Jesus, o Filho amado”

 Textos para ler: Marcos 1.9-11

O início do ministério público de Jesus é marcado por um acontecimento extraordinário: seu batismo no rio Jordão. Nesse momento, os céus se abrem, o Espírito Santo desce sobre Ele e a voz do Pai declara seu amor pelo Filho. Essa passagem revela aspectos fundamentais da identidade de Jesus, sua obediência ao Pai e a atuação da Trindade no cumprimento do plano de salvação. Ao estudarmos esse texto, somos convidados a refletir sobre nosso relacionamento com Deus, nossa dependência do Espírito Santo e a maneira como temos vivido nossa vocação cristã.

JESUS SE IDENTIFICA COM A HUMANIDADE - Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Embora não tivesse pecado, Ele se submeteu ao batismo de João, identificando-se com aqueles que veio salvar e dando início público ao seu ministério.

O batismo de Jesus não foi um sinal de arrependimento por pecados pessoais, mas um ato de obediência e identificação com a humanidade. O Filho de Deus não permaneceu distante da nossa realidade; Ele entrou na história, aproximou-se das pessoas e assumiu sua missão de salvar.

Aprendemos com Jesus que obedecer a Deus nem sempre significa ocupar posições de destaque. Muitas vezes, a obediência começa em atitudes simples, na disposição de fazer aquilo que o Pai nos confiou.

OS CÉUS SE ABREM E O ESPÍRITO SANTO DESCE - Ao sair da água, Jesus viu os céus se abrindo e o Espírito descendo sobre Ele como pomba. Essa cena marca um momento significativo na apresentação de Jesus e no início de seu ministério.

O Espírito Santo não veio transformar Jesus em Filho de Deus, pois Ele já era o Filho. Sua descida aponta para a capacitação e a confirmação para a missão messiânica de Cristo.

Nesse episódio, vemos a atuação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo: o Filho é batizado, o Espírito desce e o Pai fala dos céus. Essa passagem oferece um testemunho marcante da realidade da Trindade.

Assim como Jesus iniciou seu ministério em obediência ao Pai, nós também precisamos depender da direção e da ação do Espírito Santo para cumprir nossa missão cristã. Não fomos chamados a viver apenas com nossas próprias forças, mas em comunhão com Deus.

O PAI DECLARA SEU AMOR PELO FILHO - A voz dos céus declara: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”. Antes de Jesus realizar milagres, ensinar multidões ou enfrentar a cruz, o Pai declara seu amor e sua satisfação com o Filho. Essa declaração revela a identidade de Jesus e a aprovação sobre sua missão.

Jesus não precisava conquistar sua identidade por meio de realizações. Ele agia a partir de sua relação com o Pai. Isso nos ensina a importância de fundamentar nossa vida espiritual em nosso relacionamento com Deus, e não apenas naquilo que fazemos para Ele.

Como cristãos, encontramos em Cristo a graça que nos reconcilia com Deus e nos permite viver como seus filhos. Nosso serviço não deve nascer da tentativa de conquistar o amor de Deus, mas da resposta agradecida ao amor que recebemos pela graça.

CONCLUSÃO

O batismo de Jesus revela sua identificação com a humanidade, sua submissão ao Pai e a presença do Espírito Santo em sua missão. A voz dos céus confirma que Jesus é o Filho amado, enviado para cumprir o propósito de Deus.

Ao contemplarmos essa passagem, somos desafiados a viver em obediência, depender do Espírito Santo e cultivar um relacionamento com Deus que sustente nossa caminhada.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

Prepare o caminho do Senhor!

Carta pastoral – Outubro de 2026 – ano VII

“Prepare o caminho do Senhor!”

 Textos para ler: Marcos 1.1-8

Marcos inicia seu Evangelho apresentando Jesus Cristo como o Filho de Deus. Diferentemente de uma narrativa que começa com o nascimento de Jesus, ele vai diretamente ao propósito de sua mensagem: anunciar as boas-novas de que Deus está agindo na história para trazer salvação à humanidade.

Antes de Jesus iniciar seu ministério público, João Batista aparece como o mensageiro enviado para preparar o caminho do Senhor. Sua missão era despertar o povo, convocando-o ao arrependimento e preparando-o para reconhecer a chegada do Messias.

Essa mensagem continua atual. O Evangelho não é apenas uma informação sobre Jesus, mas uma notícia que transforma a maneira como vivemos. Receber Cristo significa permitir que Ele transforme nosso coração, nossas atitudes e nossos relacionamentos.

PREPARAR O CAMINHO É ARREPENDER-SE - João Batista pregava um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Arrepender-se não significa apenas sentir tristeza pelos erros cometidos, mas reconhecer o pecado, mudar de direção e voltar-se para Deus.

A preparação do caminho do Senhor começa dentro de nós. Muitas vezes desejamos que Deus transforme nossas circunstâncias, mas resistimos às mudanças que Ele deseja realizar em nosso próprio coração.

O arrependimento abre espaço para uma vida de obediência, humildade e comunhão com Deus. Não compramos o perdão por nossas atitudes; respondemos à graça de Deus com disposição para uma vida transformada.

Que áreas da nossa vida precisam ser ajustadas para que Jesus ocupe o lugar central?

UMA VIDA QUE APONTA PARA JESUS - João Batista vivia de maneira simples e compreendia claramente sua missão. Ao anunciar a chegada daquele que era mais poderoso do que ele, declarou que não era digno nem de se abaixar para desatar as correias de suas sandálias.

João não buscava construir sua própria fama. Seu propósito era conduzir as pessoas a Jesus. Esse é também o chamado da Igreja e de cada discípulo: anunciar Cristo, servir às pessoas e viver de modo que nossas atitudes apontem para o Salvador.

João ainda destacou uma diferença fundamental: ele batizava com água, mas Jesus batizaria com o Espírito Santo. A missão de Jesus não se limita a uma mudança exterior; Ele veio realizar uma obra profunda na vida daqueles que o recebem, capacitando-os a viver segundo a vontade de Deus.

CONCLUSÃO

O Evangelho de Marcos começa com um chamado à preparação. Antes de acompanharmos os feitos de Jesus ao longo deste Evangelho, somos convidados a examinar nosso coração. O caminho para uma vida transformada passa pelo arrependimento, pela humildade e pela disposição de colocar Jesus no centro de tudo.

Como João Batista, somos chamados a preparar caminhos para que outras pessoas conheçam Cristo, não por meio da exaltação de nós mesmos, mas por uma vida que revela sua graça e seu poder.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O CAMINHO ESTREITO

 Carta pastoral – Setembro de 2026 – ano VII

“O CAMINHO ESTREITO”

Textos para ler: Mateus 7. 13-14

Queridos e amados irmãos, que a Graça e paz do Senhor seja sobre sua vida e sua família.

Vivemos em uma época em que quase tudo é construído para facilitar a nossa vida. Procuramos caminhos mais rápidos, escolhas mais fáceis e soluções que exijam menos esforço. Essa mentalidade também pode influenciar nossa vida espiritual. Muitas vezes queremos seguir a Cristo sem abrir mão dos nossos próprios caminhos, desejos e escolhas.

Jesus, porém, apresenta uma imagem diferente. Ele fala de duas portas, dois caminhos e dois destinos. A porta larga representa o caminho da facilidade, da multidão e da ausência de compromisso. É o caminho em que fazemos apenas aquilo que queremos, seguimos a opinião da maioria e não permitimos que Deus transforme nossas escolhas.

A porta estreita, por outro lado, representa o caminho do discipulado. Não significa que seguir Jesus seja uma vida sem alegria ou cheia de sofrimento. Significa que existe um preço: renunciar a nós mesmos, obedecer à Palavra e permitir que Cristo governe nossa vida.

O caminho estreito é difícil porque confronta nosso orgulho. Ele nos chama a perdoar quando queremos guardar ressentimento, amar quando seria mais fácil ignorar, permanecer fiéis quando ninguém está vendo e escolher a santidade quando o mundo apresenta outros valores.

Jesus não disse que o caminho estreito seria o mais popular. Pelo contrário, afirmou que poucos o encontram. Isso nos ensina que a verdade não é determinada pela quantidade de pessoas que a seguem. Nossa referência não deve ser “o que todo mundo está fazendo?”, mas “o que Jesus está ensinando?”.

Existe também uma questão importante: não basta encontrar a porta; é preciso caminhar pelo caminho. A fé cristã não é apenas uma decisão feita em determinado momento. É uma caminhada diária com Cristo. Todos os dias somos chamados a escolher entre o caminho da conveniência e o caminho da obediência.

Talvez algumas decisões que Deus está colocando diante de nós hoje pareçam pequenas, mas elas revelam qual caminho estamos seguindo. Nossas palavras, relacionamentos, prioridades, uso do dinheiro, vida familiar, sexualidade, trabalho, pensamentos e escolhas demonstram se estamos realmente caminhando com Cristo.

A boa notícia é que Jesus não apenas mostra o caminho — Ele é o caminho. Seguir pela porta estreita não significa tentar conquistar a salvação pela nossa própria força. Significa confiar em Cristo, receber sua graça e permitir que essa graça transforme nossa maneira de viver.

O caminho largo oferece facilidade, mas o caminho estreito oferece vida. A pergunta não é simplesmente: “Qual caminho é mais fácil?”. A pergunta é: “Qual caminho estou escolhendo?”

Que nossas escolhas diárias revelem que pertencemos a Jesus. Que não sejamos conduzidos pela multidão, pela cultura ou pela facilidade, mas pela Palavra de Deus. Afinal, o caminho estreito pode ser desafiador, mas é o caminho que conduz à vida.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

terça-feira, 25 de agosto de 2026

A Guerra das Gerações

 Carta pastoral – Agosto de 2026 – ano VII

“A Guerra das Gerações”

 Textos para ler: Êxodo 17.8-16

Queridos e amados irmãos, que a Graça e paz do Senhor seja sobre sua vida e sua família.

Você já percebeu como uma mágoa não resolvida pode mudar a maneira como uma pessoa passa a enxergar outra?

Israel ainda estava aprendendo a caminhar como povo de Deus. Eles haviam experimentado a libertação do Egito, atravessado o Mar Vermelho e recebido água da rocha. Agora, porém, precisavam enfrentar um inimigo.

Moisés ordena que Josué reúna homens para a batalha, enquanto ele sobe ao monte com o bordão de Deus. Quando Moisés mantém as mãos levantadas, Israel prevalece; quando suas mãos se abaixam, os amalequitas prevalecem. Arão e Hur então sustentam suas mãos até o pôr do sol.

Mas existe algo ainda mais profundo por trás desse conflito. Os amalequitas eram descendentes de Amaleque, neto de Esaú (Gn 36.12). A história de Esaú e Jacó carrega uma marca de conflito, frustração, perda e ressentimento. Esaú sentiu-se profundamente prejudicado pelo irmão e, durante determinado período, alimentou o desejo de matá-lo (Gn 27.41). Um povo descendente de Esaú tornou-se inimigo persistente de Israel, descendente de Jacó.

Isso nos oferece uma poderosa reflexão espiritual: Aquilo que não é tratado pode produzir frutos amargos que alcançam outras pessoas e até outras gerações.

A MÁGOA PODE SE TRANSFORMAR EM UMA CULTURA - Esaú sofreu uma frustração real. Ele sentiu que havia perdido algo importante para Jacó. O problema não foi apenas sentir dor. O problema foi permitir que a dor se transformasse em ressentimento. A mágoa diz: "Eu fui ferido." O ressentimento começa a dizer: "Eu quero que você pague pelo que fez." Quando isso se estabelece no coração, a pessoa deixa de apenas carregar uma ferida e passa a construir sua identidade ao redor dela.

É possível que alguém tenha sido ferido por alguém da família, por um líder, por uma igreja, por um pastor, por um amigo ou até por Deus — na maneira como interpretou determinada experiência. A ferida pode ser verdadeira. Mas, se não for tratada diante de Deus, pode transformar-se em amargura. E a amargura pode transformar-se em comportamento. Uma pessoa ferida pode começar a ferir.

AMALEQUE REPRESENTA UMA BATALHA QUE NASCE DAQUILO QUE NÃO FOI RESOLVIDO - Quando Israel encontra os amalequitas, não está enfrentando apenas um exército. Está diante de um inimigo que se tornaria um adversário recorrente na história de Israel. Em Deuteronômio 25.17-19, Moisés relembra que Amaleque atacou Israel quando o povo estava cansado e vulnerável. Isso é significativo.

O ressentimento não procura necessariamente uma guerra justa; ele procura uma oportunidade para atacar. Quem vive dominado pela mágoa pode começar a interpretar tudo pela lente da ofensa. Uma palavra torna-se provocação. Uma correção torna-se rejeição. Uma ausência torna-se abandono. Uma decisão torna-se perseguição. Uma discordância torna-se traição. A ferida passa a interpretar a realidade. Por isso, precisamos tomar cuidado! Não podemos permitir que uma experiência dolorosa determine toda a nossa percepção do mundo.

CRISTO NOS ENSINA OUTRO CAMINHO - O Evangelho apresenta o maior exemplo de alguém que sofreu injustamente e não respondeu com vingança. Jesus foi rejeitado, humilhado, traído e crucificado.

A cruz nos mostra que a resposta para o ciclo da violência não é reproduzir a violência, mas permitir que a graça interrompa o ciclo. Aqueles que foram alcançados pela graça precisam aprender a oferecer graça. Não porque a dor não importa. Mas porque a graça de Deus é maior do que a nossa necessidade de vingança.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Imitadores de Deus

 Carta pastoral – Agosto de 2026 – ano VII

“Imitadores de Deus”

Textos para ler: Efésios 5. 1-2

Queridos e amados irmãos, que a Graça e paz do Senhor seja sobre sua vida e sua família.

Se você pudesse escolher uma pessoa para imitar durante uma semana — alguém que admira pelo seu caráter, atitudes ou maneira de viver — quem seria e por quê?

Todos nós imitamos alguém. Nossas palavras, hábitos, valores e atitudes são influenciados pelas pessoas que admiramos. Paulo nos apresenta um desafio muito maior: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” A questão não é simplesmente: “Quem estamos imitando?”, mas: “Nossa maneira de viver se parece com a maneira de Deus?”

SOMOS FILHOS ANTES DE SERMOS IMITADORES - Paulo começa dizendo: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” Isso é muito importante. Paulo não diz: “Imitem Deus para que vocês se tornem filhos.” Ele diz: “Imitem Deus porque vocês são filhos amados.” A obediência cristã nasce da identidade. Não tentamos viver de maneira santa para conquistar o amor de Deus. Vivemos em santidade porque já fomos alcançados pelo amor de Deus. Existe uma diferença enorme entre: “Preciso obedecer para Deus me amar.” e “Porque Deus me ama, quero viver para agradá-lo.” A primeira produz escravidão religiosa. A segunda produz relacionamento. O evangelho não começa com aquilo que precisamos fazer por Deus, mas com aquilo que Deus fez por nós em Cristo.

A VIDA CRISTÃ É UMA VIDA DE IMITAÇÃO - Paulo usa uma expressão muito forte: “Imitadores de Deus.” A palavra transmite a ideia de reproduzir um modelo. Paulo está dizendo: “Olhem para Deus e procurem refletir aquilo que vocês veem nele.” Filhos naturalmente aprendem observando seus pais. Eles repetem palavras, comportamentos, expressões e até maneiras de reagir. Da mesma forma, aqueles que foram adotados por Deus devem desenvolver uma vida que reflita o caráter do Pai. Isso significa que o cristianismo não é apenas frequentar cultos, conhecer versículos ou participar de atividades da igreja. É permitir que o caráter de Deus seja percebido em nossa maneira de falar, tratar as pessoas, reagir às dificuldades, lidar com dinheiro, viver dentro de casa, exercer autoridade, perdoar, servir, amar e tomar decisões. A pergunta não é apenas: “Eu conheço a Deus?” Mas também: “As pessoas conseguem perceber Deus através da minha vida?”

O MODELO DA NOSSA IMITAÇÃO É CRISTO - Paulo continua: “Andai em amor, como também Cristo nos amou...” Aqui encontramos o padrão. Como devemos imitar Deus? Amando como Cristo amou. O amor cristão não é simplesmente sentimento. Cristo demonstrou seu amor através de uma entrega. Paulo diz: “...e se entregou a si mesmo por nós.” Jesus não apenas disse: “Eu amo vocês.” Ele entregou a própria vida. O amor bíblico sempre encontra uma maneira de se transformar em atitude. É possível dizer que amamos nossa família, mas não demonstrar paciência. É possível dizer que amamos a igreja, mas não servir. É possível dizer que amamos pessoas, mas não perdoar. É possível dizer que amamos a Deus, mas não obedecer. O amor de Cristo nos ensina que amar é entregar-se.

Somos filhos amados. Por isso, imitamos o Pai. Imitamos o Pai andando em amor. Andamos em amor seguindo o exemplo de Cristo. E seguimos Cristo aprendendo a nos entregar.

O evangelho não apenas muda aquilo que acreditamos. O evangelho muda a maneira como vivemos. Quem compreendeu o amor de Cristo não consegue continuar vivendo exclusivamente para si. Cristo se entregou por nós. Agora somos chamados a viver uma vida que reflita essa entrega. Não fomos chamados apenas para falar sobre o amor de Deus. Fomos chamados para encarná-lo em nossos relacionamentos.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

terça-feira, 11 de agosto de 2026

TARDE DEMAIS!

 Carta pastoral – Agosto de 2026 – ano VII

“TARDE DEMAIS”

Textos para ler: Lucas 16.19-31

Queridos e amados irmãos, que a Graça e paz do Senhor seja sobre sua vida e sua família.

Todos nós já chegamos tarde a algum lugar. Perdemos um ônibus porque demoramos alguns minutos. Chegamos atrasados a uma reunião. Perdemos uma oportunidade porque adiamos uma decisão. Alguns atrasos podem ser corrigidos. Mas existem situações em que o atraso produz consequências que não podem mais ser revertidas.

ELE SE PREOCUPOU COM A ETERNIDADE TARDE DEMAIS - Durante sua vida, o homem rico estava ocupado demais vivendo para o presente. Ele tinha suas roupas, seus banquetes, sua casa, seus prazeres e sua riqueza. Mas não pensava seriamente na eternidade. Somente depois da morte ele percebeu que a vida terrena não era tudo. Essa é uma das grandes ilusões da humanidade: viver como se esta vida fosse permanente.

Jesus, porém, constantemente nos chama a olhar para além do presente. A pergunta mais importante da vida não é: “Quanto eu consegui acumular?” É: “Onde está minha vida diante de Deus?” Podemos passar anos construindo uma carreira e não construir uma vida com Deus. Podemos cuidar do corpo e negligenciar a alma. Podemos conquistar bens e perder a eternidade. Podemos investir naquilo que termina e negligenciar aquilo que permanece.

Jesus disse: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Marcos 8.36

O homem rico descobriu tarde demais que a eternidade não deveria ser uma preocupação para depois.  Quantas pessoas vivem preocupadas com aposentadoria, patrimônio, carreira e segurança financeira, mas quase não pensam na eternidade? O problema não é planejar o futuro. O problema é planejar todos os futuros, menos o futuro eterno.

ELE SE PREOCUPOU COM AS PESSOAS TARDE DEMAIS - Existe algo muito forte na narrativa. Durante sua vida, Lázaro estava à porta do homem rico. A necessidade estava literalmente diante dele. Ele não precisava procurar Lázaro. Lázaro estava perto. O problema estava diante dos seus olhos. Mas ele não fez nada. Depois da morte, porém, ele passou a pensar nas pessoas. Ele pediu que Lázaro fosse enviado para ajudá-lo. Depois pensou nos seus irmãos. Agora ele queria que alguém os avisasse.

É impressionante: na eternidade, ele começou a se preocupar com aquilo que havia ignorado na terra. Quantas vezes fazemos a mesma coisa? Percebemos o valor de alguém depois que perdemos essa pessoa. Queremos pedir perdão depois que a oportunidade passou. Queremos demonstrar amor depois que a pessoa já não está mais conosco. Queremos ajudar depois que a necessidade já passou. Queremos abraçar depois que o relacionamento já foi quebrado. Queremos dizer “eu te amo” depois que não podemos mais dizer.

Por isso, o evangelho nos chama a amar enquanto há tempo. “Enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos...” Gálatas 6.10 Existe uma urgência no amor. Não devemos esperar perder para valorizar. Não devemos esperar a ausência para reconhecer a presença. Não devemos esperar o funeral para dizer aquilo que poderíamos ter dito em vida.

MAS AQUI ESTÁ A BOA NOTÍCIA: EM JESUS NUNCA É TARDE DEMAIS - A história do homem rico termina com uma porta fechada. Mas o evangelho apresenta uma porta aberta. A parábola mostra o perigo de deixar para depois. O evangelho mostra a oportunidade do agora. Enquanto o homem está vivo, ele pode se arrepender. Enquanto há vida, há oportunidade de buscar a Deus. Enquanto há tempo, há oportunidade de amar.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

terça-feira, 28 de julho de 2026

Quando o amor esfria

 Carta pastoral – Julho de 2026 – ano VII

“Quando o amor esfria”

Textos para ler: Apocalipse 2.1–7

Queridos e amados irmãos, que a Graça e paz do Senhor seja sobre sua vida e sua família.

Você já percebeu que um relacionamento pode continuar funcionando por obrigação, mas perder o amor? Como isso acontece?

A igreja de Éfeso era uma das mais importantes do Novo Testamento. Foi fundada durante o ministério de Paulo (Atos 19), recebeu uma das cartas mais profundas da Bíblia (Efésios) e teve líderes como Timóteo e, segundo a tradição, João.

Era uma igreja conhecida por trabalho intenso, firmeza doutrinária, perseverança e rejeição aos falsos mestres.

Humanamente, parecia uma igreja perfeita. Mas Jesus vê o que ninguém vê. Ele olha além das atividades. Ele olha o coração. E encontra uma tragédia espiritual: "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor." É possível estar ocupado com Deus e distante de Deus.

JESUS CONHECE PROFUNDAMENTE SUA IGREJA - A palavra "conheço" aparece repetidamente nas cartas do Apocalipse. Jesus conhece nosso serviço, nosso esforço, nossas lágrimas, nossa fidelidade, nossas motivações. Nada passa despercebida. A igreja não era acomodada. Servia intensamente. Mesmo sofrendo perseguições, permaneceu firme. Não aceitava falsos apóstolos. Defendia a verdade. Odiava as obras dos nicolaítas. Era uma igreja comprometida com a pureza. Tudo isso era excelente. Mas... Não era suficiente.

É possível cantar no louvor, liderar ministérios, ensinar, evangelizar, servir na igreja... e ainda assim estar longe de Cristo. O serviço nunca pode substituir o relacionamento.

O MAIOR PROBLEMA NÃO ERA O PECADO VISÍVEL, MAS A PERDA DO AMOR - Jesus não diz que eles perderam a doutrina. Nem que abandonaram os cultos. Nem que deixaram de servir. O problema era outro. O coração havia esfriado. O "primeiro amor" descreve aquele tempo em que Cristo era a maior alegria. Quando a oração era prazer, a Bíblia era alimento, servir era privilégio, adorar era espontâneo e evangelizar era natural. O relacionamento tornou-se rotina. A paixão virou obrigação.

Nem todo afastamento começa com grandes pecados. Muitas vezes começa com pequenas distrações. O amor não desaparece de um dia para o outro. Ele vai sendo substituído por outras prioridades.

O CAMINHO DA RESTAURAÇÃO - Jesus apresenta três verbos:

·         LEMBRE-SE Olhe para trás. Recorde como era sua comunhão. Lembre-se da alegria. Do entusiasmo. Da intimidade.

·         ARREPENDA-SE. Não basta sentir saudade. É preciso mudar de direção. Arrependimento significa mudança de mente e de vida.

·         PRATIQUE as primeiras obras. Não basta sentir. É necessário agir. Voltar à oração, à Palavra, à adoração, à obediência e ao serviço motivado pelo amor. O sentimento frequentemente acompanha a obediência.

Jesus não apenas mostra o problema. Ele oferece o caminho da cura. Sempre há esperança para quem deseja voltar.

Uma igreja pode ser ativa, ortodoxa e perseverante, mas, se perder seu amor por Cristo, perde aquilo que é mais essencial. O Senhor nos chama a lembrar, arrepender-nos e voltar ao primeiro amor, para que nosso serviço seja fruto de uma comunhão viva e apaixonada com Ele.

Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos. Até a última casa!

                                                                                               Pr. Luiz Antonio

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