Carta pastoral – Agosto de 2026 – ano VII
“A Guerra das Gerações”
Queridos e amados irmãos, que a Graça e
paz do Senhor seja sobre sua vida e sua família.
Você já
percebeu como uma mágoa não resolvida pode mudar a maneira como uma pessoa
passa a enxergar outra?
Israel ainda
estava aprendendo a caminhar como povo de Deus. Eles haviam experimentado a
libertação do Egito, atravessado o Mar Vermelho e recebido água da rocha.
Agora, porém, precisavam enfrentar um inimigo.
Moisés
ordena que Josué reúna homens para a batalha, enquanto ele sobe ao monte com o
bordão de Deus. Quando Moisés mantém as mãos levantadas, Israel prevalece;
quando suas mãos se abaixam, os amalequitas prevalecem. Arão e Hur então
sustentam suas mãos até o pôr do sol.
Mas existe
algo ainda mais profundo por trás desse conflito. Os amalequitas eram
descendentes de Amaleque, neto de Esaú (Gn 36.12). A história de Esaú e Jacó
carrega uma marca de conflito, frustração, perda e ressentimento. Esaú
sentiu-se profundamente prejudicado pelo irmão e, durante determinado período,
alimentou o desejo de matá-lo (Gn 27.41). Um povo descendente de Esaú tornou-se
inimigo persistente de Israel, descendente de Jacó.
Isso nos
oferece uma poderosa reflexão espiritual: Aquilo que não é tratado pode
produzir frutos amargos que alcançam outras pessoas e até outras gerações.
A MÁGOA PODE SE TRANSFORMAR
EM UMA CULTURA - Esaú sofreu uma frustração real. Ele sentiu que havia
perdido algo importante para Jacó. O problema não foi apenas sentir dor. O problema foi permitir que a dor se transformasse em
ressentimento. A mágoa diz: "Eu fui ferido." O
ressentimento começa a dizer: "Eu quero que você pague pelo que fez."
Quando isso se estabelece no coração, a pessoa deixa de apenas carregar uma
ferida e passa a construir sua identidade ao redor dela.
É possível que alguém tenha sido ferido por alguém da família, por um líder,
por uma igreja, por um pastor, por um amigo ou até por Deus — na maneira como
interpretou determinada experiência. A ferida pode ser verdadeira. Mas, se não
for tratada diante de Deus, pode transformar-se em amargura. E a amargura pode
transformar-se em comportamento. Uma
pessoa ferida pode começar a ferir.
AMALEQUE REPRESENTA UMA BATALHA
QUE NASCE DAQUILO QUE NÃO FOI RESOLVIDO - Quando Israel encontra os
amalequitas, não está enfrentando apenas um exército. Está diante de um inimigo
que se tornaria um adversário recorrente na história de Israel. Em Deuteronômio
25.17-19, Moisés relembra que Amaleque atacou Israel quando o povo estava
cansado e vulnerável. Isso é significativo.
O ressentimento não procura necessariamente uma
guerra justa; ele procura uma oportunidade para atacar. Quem
vive dominado pela mágoa pode começar a interpretar tudo pela lente da ofensa. Uma
palavra torna-se provocação. Uma correção torna-se rejeição. Uma ausência
torna-se abandono. Uma decisão torna-se perseguição. Uma discordância torna-se
traição. A ferida passa a interpretar a realidade. Por isso, precisamos tomar
cuidado! Não podemos permitir que uma
experiência dolorosa determine toda a nossa percepção do mundo.
CRISTO
NOS ENSINA OUTRO CAMINHO - O Evangelho apresenta o maior exemplo de alguém que
sofreu injustamente e não respondeu com vingança. Jesus foi rejeitado,
humilhado, traído e crucificado.
A cruz nos mostra que a resposta para o ciclo da violência não é reproduzir a violência, mas
permitir que a graça interrompa o ciclo. Aqueles que foram
alcançados pela graça precisam aprender a oferecer graça. Não porque a dor não
importa. Mas porque a graça de Deus é maior
do que a nossa necessidade de vingança.
Amar a Deus, Amar o próximo e Fazer Discípulos.
Até a última casa!
Pr.
Luiz Antonio